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Amsterdam: Como foi Minha Viagem para Lá

Nas minhas ultimas viagens de férias em Amsterdam renderam experiências gastronômicas inesquecíveis.

E as duas mais importantes, por motivos diversos, foram a De Kaaskamer e o CTaste, ambos descobertos na Time Out.

De Kaaskamer é uma loja de queijos. Segundo a descrição da Time Out, haveria mais de 200 tipos de queijos disponíveis, além de molhos, azeites e frios, de todos os cantos do mundo. E a descrição, realmente, era fiel.

Um cheiro delicioso e uma viagem gastronômica

Só o cheiro na entrada da loja já inebria comensais viciados em queijo como eu. E tem para tudo que é gosto. Os queijos holandeses, claro, são o carro-chefe. Não há muita variedade, e, no fundo, desconfio que são todos variações de queijo gouda. Mas têm que ser provados, até porque os holandeses são super orgulhosos dos seus queijos (pela foto acima, dá para ver que tem queijo holandês até o teto da loja, literalmente).

Mas voltando ao que interessa, o que chama a atenção ali é mesmo a enorme variedade de queijos, e tudo agrupado numa loja tão pequena. Encontrei mais tipos de queijos franceses do que na França. E foi nesse grupo que descobri o que viria a ser o melhor queijo que já provei: um brie recheado com trufas negras.

 

O sabor é indescritível, até porque nunca havia provado os dois juntos. Nem preciso dizer que naquele dia não teve almoço – eu e Marido passamos o dia beliscando os queijos trazidos da De Kaaskamer.

E a Time Out ainda nos trouxe uma indicação de restaurante, o CTaste, que veio a ser o jantar mais inusitado que já tivemos. Pela descrição, já havia visto que se tratava de um restaurante onde a refeição é feita absolutamente às escuras. Mas, até adentrar o salão, não é possível ter a exata dimensão da experiência.

Primeiramente, os clientes são recebidos na entrada do restaurante, com um drinque. Ali, optam por menus de 3, 4 ou 5 pratos. Mas não se engane: não há cardápio, e não é possível escolher o que será servido. O máximo que podemos é dizer se temos alguma restrição alimentar, e indicar se preferimos o menu vegetariano, o de carne, ou o surpresa.

Como já estávamos no inferno, decidimos abraçar o capeta e optamos, eu e Marido, pelo menu surprise.

Nada de pessoal

Ao entrarem no restaurante, todos os clientes devem deixar seus pertences (bolsas, celulares, relógios) em armários com chaves. Isso evita que algum engraçadinho tente acender uma luz dentro do salão e estragar a experiência coletiva.

Em seguida vêm garçons, todos cegos, que guiam os comensais para dentro do salão. E não existe uma porta, por onde possa passar algum raio de luz. O salão é fechado por exatamente quatro cortinas de veludo escuro. Ou seja, breu total e absoluto.

Já dentro do salão, as regras são claras:chamar o garçom para qualquer necessidade, e não se levantar até que ele chegue. Como os garçons são cegos, eles conseguem se movimentar melhor no salão do que nós, que, obviamente, não estamos acostumados a andar no escuro.

Nosso garçom nos guiou até a mesa, e trouxe vinho e água. Ele mesmo serviu as bebidas, e entregou os copos em nossas mãos. Depois, deixou as garrafas sobre a mesa, para que nos servíssemos ao longo do jantar, sem auxílio.

Os pratos começaram a ser servidos, e, inevitavelmente, o programa era tentar descobrir o que íamos comer. Primeiro, uma salada com verduras e legumes, e uma carne. Não consegui distinguir que carne era, mas era diferente.

Frango, talvez? Só saberia ao final. Sem dividas este não é um programa para uma família com crianças. Pois a chance de elas não comerem nada é bem grande.

De prato principal, outra carne – essa, tinha certeza, era frango – também acompanhada de legumes grelhados e batatas, tudo muito gostoso e bem temperado.

A sobremesa, juro, gostaria de ter visto, pois imagino que o prato estivesse bonito. Era um bolo, como um merengue, com espuma de abacaxi, frutas vermelhas e em volta aquele açúcar que estala na boca (sim, que vinha no saquinho do pirulito muito antigamente).

Tudo, sempre, saboreado no mais absoluto breu.

Terminada a experiência, somos conduzidos para fora aos poucos, e com a indicação de abrirmos os olhos com cuidado, até nos acostumarmos novamente com a iluminação. Somos então levados de volta aos armários, para buscarmos nossos pertences – inclusive o dinheiro para pagar a conta, claro.

Tudo pago, já nos dirigíamos para a saída, ainda meio atordoados, quando fomos interpelados pelo garçom, aos risos, perguntando se não gostaríamos de saber o que havíamos comido. Claro que aceitamos, e ele então passou a descrever cada um dos pratos. Fiquei feliz em saber que acertei quase tudo, à exceção da carne da salada que, ao contrário do que imaginei, não era frango, mas sim canguru (muito provavelmente, se eu soubesse antecipadamente, não teria comido, por puro preconceito).

A experiência é completamente inédita, em todos os sentidos (adoro!).

São tantas sensações novas…perder o aspecto visual do prato – o que me fez confirmar que, sim, muitas vezes comemos com os olhos – , confiar cegamente em totais desconhecidos, sendo que normalmente eles é que têm que confiar em nós, e, acima de tudo, não ver o que se está ingerindo. Isso, para mim, foi o pior – sabe-se lá quantos fios de cabelo eu comi naquela noite…

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